25 de março de 2009

MAS QUE EDUCADINHA...


Esse fim de semana, a caminho de um churrasco dos amigos da faculdade do meu namorado, não sei por qual motivo, mas me veio em mente uma cena no mínimo constrangedora que me aconteceu no ano passado, dentro de um dos confortáveis, cheirosos e espaçosos ônibus que circulam por São Paulo, vou contar resumidamente: Estava eu, em pé, cheia de cadernos nas mãos, bolsa, salto alto e sapato machucando, enfim, com uma louca vontade de chegar em casa, pois estava voltando da faculdade, estava dentro do magnífico Terminal Capelinha, lembro também que eu estava bem próxima da janela, exatamente naquele vão que é "reservado" para os cadeirantes.


Na minha frente, havia uma moça, aparentando seus 17 anos, de calça jeans, tênis, camiseta e o conjunto doritos X coca-cola nas mãos, até aí normal, a mocinha comeu todo o salgadinho e tomou seu refri, que era daqueles de 600ml, que vem na garrafinha. Ao terminar o croc-croc, ela amassou o saco de salgadinho e enfiou na boca da garrafa, lembro que quando isso pensei:


__ “Que educadinha", guardou o saquinho pra não fazer sujeira..


Eis que a bela mocinha, até então educada, me olhou e ameaçou dizer alguma frase, eu fiquei só observando, quando de repente ela me olha novamente, estica o braço me entregando a garrafa pet e me diz:


__"Moça, joga fora pra mim?"


Eu, simplesmente respondi: __" Más não tem lixinho aqui".


No que ela me diz: __ "Não é no lixo, é pra jogar pela janela"


A minha reação naquele momento foi conter minha enorme vontade de meter um soco na cara dela, ajeitei meus materiais da maneira que eu podia, peguei a garrafa das mãos dela e disse:


__" Pode deixar, quando eu chegar em casa, jogo no lixo"


Guardei a garrafa dentro da minha bolsa, muito decepcionada e, ao olhar pro lado consegui observar a cara das pessoas que estavam ao meu redor, saudando-me de uma maneira como nunca pensei que aconteceria por uma coisa que no meu ponto de vista deveria ser normal, ou será que agora, jogar lixo no lixo já é coisa de gente careta?


A cara da moçinha foi de indiferença, a sujeita nem ao menos abriu a boca, apenas ficou com a cara desconfiada, tentando entender no íntimo de sua ignorância o porquê eu havia guardado a garrafa de coca-cola vazia dentro da minha bolsa. Eu, justo eu que sempre fiz questão de por a boca pra fora do carro e xingar em alto e bom som qualquer pessoa que eu visse jogando lixo nas ruas, me vejo numa situação dessas. Hoje vivemos nessa pressão, com esse medo das conseqüências que teremos, ou que nossos filhos e netos terão, com tamanha destruição que já foi causada no planeta por que colhemos o que nós mesmos (seres-humanos) plantamos.


Na época do meu colegial não se falava tanto sobre a preservação do nosso planeta, o sapato começou a apertar de uns sete anos pra cá, hoje eu tenho certeza de que os estudantes têm esse assunto muito mais presente em suas aulas do que eu tive, mas me deixou muito triste ver essa "animalzinha" mostrando que infelizmente sempre haverá pessoas que nunca vão aprender, ou se vão, esse processo vai ser bem demorado. Espero que ela tenha deitado sua cabeçinha no travesseiro naquela noite e tenha sentido um pouquinho, apenas um pouquinho de vergonha de ser uma dessas pessoas, que insistem em querer caminhar sempre pra trás. E eu continuarei causando quantas "saias justas" forem necessárias, cada vez que tiver a infelicidade de presenciar uma cena assim.


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